Existe um Brasil de brasileiros que não têm tempo pra impeachment, cassação, ajuste fiscal e nem Lava Jato. Esses brasileiros se cruzaram no Rio de Janeiro e construíram uma surpreendente história de sucesso empresarial.

Juntos, eles promoveram manutenção de empregos que estavam ameaçados, geração de mais vagas de trabalho, relançamento de produtos e resgate de ativos. Tudo isso em meio à pior crise econômica de que se tem notícia no país.

Essa é a história de sucesso da farmacêutica brasileira Global Pharma Participações, que adquiriu em leilão a MR Pharma, criada para absorver os ativos do laboratório francês Millet Roux. Fabricante do Cutisanol, Chophytol e Passiflorine, o Millet Roux atuava no Brasil desde 1933, antes da Segunda Guerra, mas estava em processo de recuperação judicial desde 2012.

Daí que a Global Pharma apresentou um plano de recuperação, que foi aceito pelos credores do Millet Roux, aprovado pelo Ministério Público Estadual e homologado pela 4ª Vara Empresarial do Estado do Rio. Na 4ª Vara Empresarial, coube ao juiz titular Paulo Assed Estefan o papel de grande magistrado que decide a favor do interesse público ou, nesse caso, do interesse comum.

Todos saíram ganhando com a iniciativa da Global Pharma, o compromisso da MR Pharma, a compreensão do MP Estadual e o mérito do grande juiz Paulo Stefan.

Mas os maiores vencedores mesmo foram: os trabalhadores, salvos da praga do desemprego, e os consumidores, que, além de maior e melhor distribuição do Cutisanol, voltarão a encontrar nas farmácias o Chophytol, o Passiflorine e outros bons e velhos produtos.

Enfim, parabéns a todos os envolvidos!

Confira (a seguir) a íntegra dessa história de sucesso:

Um plano de recuperação aceito pelos credores, aprovado pelo Ministério Público Estadual e homologado na 4ª Vara Empresarial do Estado do Rio de Janeiro pelo juiz titular Paulo Assed Estefan promoveu no Rio uma história de sucesso com manutenção de 100 empregos, geração de mais vagas e relançamento de produtos fitoterápicos tradicionais. A brasileira Global Pharma Participações S.A. adquiriu em leilão a MR Pharma, criada para absorver ativos do laboratório farmacêutico Millet Roux, que atuava no Brasil desde 1933 e está em recuperação judicial desde 2012. Fundada por franceses radicados aqui, o Millet Roux é pioneiro no país na fabricação de medicamentos e ex-dono de marcas reconhecidas e consagradas pelos consumidores – como Cutisanol, Passiflorine, Chophytol, Incontinol, entre outras. Além de preservar uma centena de postos de trabalho, a Global Pharma, holding da nova empresa MR Pharma, já está ampliando o quadro de funcionários como parte dos projetos de crescimento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já liberou a autorização de funcionamento da MR Pharma. É a primeira vez que a Anvisa autoriza licenças referentes a um processo de recuperação judicial. Com a liberação, a nova farmacêutica está plenamente habilitada a produzir e ampliar o portfólio de medicamentos tradicionais que pertencia ao Millet Roux. A Anvisa era a última instância legal a conceder as licenças necessárias à retomada das operações.

O Millet Roux passou por dificuldades financeiras e, há quatro anos, vem enfrentando o processo de recuperação judicial. Presidente da Global Pharma, Marcelo dos Santos de Oliveira não revela o valor da aquisição, fechada em dezembro de 2015, mas conta que a transação se tornou possível a partir da adoção do modelo definido na Lei de Recuperação de Empresas (nº 11.101/05). O modelo consistiu na criação, mediante determinação judicial, de uma subsidiária denominada MR Laboratórios Farmacêuticos Ltda, a MR Pharma, que absorveu ativos da Millet Roux, como a planta fabril localizada no Rio de Janeiro, além de marcas e equipamentos.Oliveira observa que este é um caso de sucesso a ser comemorado, não apenas pelo setor farmacêutico, mas por todos os segmentos produtivos do país, porque as estratégias de negócios levadas ao juiz Assed Estefan viabilizaram inúmeros ganhos e incalculáveis benefícios.

Essa sequência de acertos, no entendimento da 4ª Vara, promoveu a continuidade, em uma nova empresa, das atividades operacionais da antiga Millet Roux, afastou a decretação de sua falência, salvou os postos de trabalho (mantidos através de contratação dos empregados desligados da recuperanda) e ainda assegurou o aumento do quadro de funcionários. Também criou condições para a solução de uma crise que parecia irreversível, possibilitou a manutenção de produtos no mercado e permitiu o processo de resgate de outras marcas que tiveram licença cancelada. Tudo isso retomando a devida geração de impostos pagos aos cofres públicos – durante todo o processo e, daqui para a frente, durante todo o desenvolvimento do novo grupo. O modelo e a operação foram estruturados pela consultoria Critério Auditores e Consultores, envolvendo aproximadamente um ano de estudos, análises, avaliações, planejamento e montagem das estratégias.

Fonte: Ideias e Ideais